Atualizado 2026-09-03 · 5 min de leitura
Todos os assistentes com IA se parecem no site: respondem no momento, marcam, atendem 24 horas. Distinguem-se nas perguntas que não querem que lhes faça. Estas são as dez que separam um assistente que atende o seu salão de um chatbot com calendário, com a resposta que qualquer um devia dar-lhe. Leve-as à demonstração.
1. Marca contra a minha agenda real ou contra uma cópia?
Há assistentes que respondem às mil maravilhas e olham para um calendário a fingir: um que sincroniza de hora a hora, ou todas as noites, ou que só conhece o seu horário de abertura. Dão horas que já estão ocupadas, e essa é a falha que mais clientes custa, porque chega à porta e não há lugar.
A resposta certa: contra a agenda real, no momento, a mesma que vê no painel e no seu Google Calendar se o tiver ligado.
2. Sabe quanto dura cada serviço, e quem o faz?
Uma coloração não dura o mesmo que um corte, e nem toda a equipa faz madeixas. Um assistente que trabalha com «marcações de 30 minutos» vai sobrepor, e vai fazê-lo ao sábado.
A resposta certa: cada serviço com a sua duração (e o seu intervalo, se depender do cabelo), cada profissional com o que faz e o seu horário, e um aviso se uma marcação sair mais curta do que esse serviço precisa.
3. O que acontece quando eu respondo numa conversa?
É a pergunta que quase ninguém faz antes e toda a gente faz depois. Se o assistente continua a escrever enquanto responde, o cliente recebe duas vozes.
A resposta certa: assim que entra numa conversa, o assistente afasta-se dessa conversa e não volta sozinho. As outras conversas continuam atendidas.
4. Por que via se liga ao meu WhatsApp?
Há duas: a API oficial da Meta e a sessão do próprio número. Com a primeira há uma janela de 24 horas fora da qual só cabem modelos, um custo por conversa e, às vezes, um número novo. Com a segunda, o número é seu, não há janela e os lembretes chegam a quem não escreve há meses.
A resposta certa depende do seu tamanho; para um salão, quase sempre a sessão própria. O grave é não lho contarem.
5. O que faz quando não sabe?
Um cliente pergunta por um tratamento que não tem, pede um preço que não está na lista, escreve zangado. Um chatbot inventa ou repete um menu. Um assistente sério diz o que há, oferece o que existe e, se for preciso, avisa-a e afasta-se.
A resposta certa: nunca inventa um preço, nunca oferece o que não está no seu painel, e perante uma queixa ou um pedido para falar com uma pessoa passa-lho a si.
6. Posso dar-lhe ordens eu, sem abrir o painel?
Mudar uma marcação, bloquear uma tarde, escrever a uma cliente que deixou o casaco. Se para tudo isso for preciso abrir um programa, faz-se metade das vezes.
A resposta certa: responde na conversa onde ele a avisa e diz-lho com as suas palavras. E antes de fazer seja o que for mostra-lhe o que vai fazer e espera pelo seu «sim».
7. Apresenta-se como o que é?
Desde agosto de 2026 a lei europeia da IA obriga um assistente a dizer que o é. À parte a lei, é o que faz com que um cliente não se sinta enganado quando descobre.
A resposta certa: apresenta-se como assistente digital na primeira mensagem e repete-o se lhe perguntarem.
8. Onde estão os meus dados, e posso levá-los?
Os seus clientes são o seu negócio. Um programa que os retém é uma jaula.
A resposta certa: alojados na União Europeia, com contrato de subcontratante, sem os usar para treinar modelos nem os cruzar com outros negócios, e exportáveis a partir do seu painel quando quiser, sem fidelização e sem ter de estar com os pagamentos em dia.
9. Quanto custa o mês em que tenho mais trabalho?
Os preços por pacotes de conversas leem-se bem em janeiro e mal em julho. Peça o preço do mês com mais mensagens do ano passado.
A resposta certa: uma mensalidade fixa, sem comissão por marcação nem por cliente novo, e sem sobretaxa por ter um mês bom.
10. Deixa-me experimentá-lo com a minha agenda?
Um assistente que só se pode ver num vídeo é um assistente que não quer que lhe faça as nove perguntas anteriores com os seus dados à frente.
A resposta certa: uma demonstração com os seus serviços e os seus horários, e você a escrever do seu telemóvel como se fosse cliente. Se além disso houver um mês grátis, melhor: a prova a sério é a agenda da segunda segunda-feira.
O que estas perguntas não medem
Não medem se o assistente «soa natural» nem se tem um site bonito. Isso vê-se em cinco minutos e não decide nada. O que decide é o que está acima: se olha para a sua agenda a sério, se se afasta quando entra, se inventa ou não, e se a deixa ir embora. Um fornecedor que responde às dez com clareza não tem de ser o melhor. Um que se esquiva a três, de certeza que não é.
