Atualizado 2026-07-15 · 3 min de leitura
A cor profissional subiu, a luz subiu, a renda nem se fala — e a sua lista de preços continua pregada à de há três anos. Cada mês que passa, o seu salão fatura o mesmo e ganha menos, e o senhor sabe-o. O que o trava não são os números: é o medo da conversa. Por isso este artigo é menos de matemática e mais de palavras — porque subir preços bem é, sobretudo, um exercício de comunicação.
Quando é altura (os três sinais)
1. Os seus custos subiram e o senhor não: se produto, renda e consumos sobem 4-6 % ao ano e os seus preços estão parados há dois anos, não «manteve os preços»: baixou o seu próprio ordenado. 2. A sua agenda está cheia mais de 85-90 % de forma sustentada: a ocupação a transbordar é o mercado a dizer-lhe que vale mais do que cobra. 3. Melhorou a proposta: formação nova, produtos melhores, um salão que agora responde na hora e se lembra de cada cliente — o valor acrescentado legitima o preço.
Quanto (a aritmética tranquilizadora)
Baixe a subida a euros concretos antes de a comunicar, porque as percentagens assustam mais do que os números: o corte de 18 € passa a 20 €; a cor de 40 € passa a 43 €. Para a sua cliente mensal, são 2-3 € a mais por mês — o preço de meio galão. Para si, num salão que fatura 6.000 €/mês, 8 % são 5.760 € a mais por ano com os mesmos serviços e as mesmas mãos. Essa assimetria — impercetível para cada cliente, transformadora para o seu negócio — é toda a razão deste artigo.
Como o comunicar (os modelos)
Regra número um: avisar com 2 a 4 semanas de antecedência, pelos canais onde já fala com eles. Regra número dois: breve, seguro e sem pedir desculpa. A desculpa longa («lamentamos imenso comunicar que infelizmente…») transmite que nem o senhor acredita no seu preço.
*Para WhatsApp ou Instagram:* «Olá 💜 Avisamos com tempo: a partir de 1 de outubro atualizamos alguns preços para continuarmos a trabalhar com os melhores produtos e a equipa de sempre. O seu corte passa de 18 para 20 €. Qualquer dúvida, estamos aqui — obrigado por confiar em nós!»
*Para a cliente que marca para depois da mudança:* «Fica marcada para o dia 5! Aviso-a de que desde 1 de outubro a cor são 43 € (antes 40). Confirmo? 😊» — a confirmação explícita do preço novo na marcação elimina 100 % das surpresas na caixa, que é onde nascem as chatices. Se o seu assistente trata das marcações, configure-o para informar sempre do preço em vigor: a coerência automática é o seu melhor escudo.
Os protestos (serão menos do que teme)
A experiência do setor é teimosa: com aviso prévio e subidas razoáveis, protesta uma minoria pequena e quase ninguém se vai embora. Perante quem protesta: ouça, agradeça («compreendo, e obrigado por mo dizer»), explique uma vez e pela positiva («é o que nos permite manter os produtos e o tempo que lhe dedicamos») e sustente o preço. O desconto personalizado para quem protesta é a pior jogada possível: castiga quem não disse nada e transforma a sua tabela num leilão. Vai perder alguém? Talvez quem estava ali só pelo preço — que é, exatamente, a cliente que o salão do lado lhe vai tirar por 2 € no ano que vem à mesma.
Ponha-lhe data agora mesmo — literalmente: abra o calendário e marque o dia da mudança e o dia do aviso. A subida de preços que não tem data é a que leva três anos sem fazer.
